Veja atribui a Vorcaro relato de pagamento de R$ 30 milhões ligado a filme sobre Lula
Revista afirma que Daniel Vorcaro teria destinado recursos ao documentário sobre Lula em meio a negociações envolvendo fundos de pensão; PF e PGR negam ter recebido depoimento com esse conteúdo.
A revista Veja publicou nesta sexta-feira (9) uma reportagem na qual atribui ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, relatos de pagamentos de aproximadamente R$ 30 milhões relacionados ao documentário Lula, dirigido por Oliver Stone. Segundo a publicação, os recursos teriam sido destinados à produção do filme e ao Instituto Lula, em meio a negociações para ampliar o acesso do banco a fundos de pensão.
De acordo com a reportagem, Vorcaro teria relatado uma articulação envolvendo o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e pessoas ligadas ao governo federal. A revista também divulgou um áudio que atribui ao empresário, no qual ele comenta pagamentos relacionados ao documentário e faz referência a negociações envolvendo fundos de previdência.
A publicação afirma que os supostos repasses estariam associados à tentativa de viabilizar operações financeiras com fundos ligados a instituições como Banco do Brasil, Caixa, Petrobras e Correios. A reportagem menciona ainda uma alegada cobrança de 10% sobre determinadas operações.
As informações, porém, são objeto de contestação e não devem ser tratadas como fatos comprovados. A autenticidade e a origem do áudio divulgado também foram questionadas.
Polícia Federal nega depoimento com esse conteúdo
Após a publicação, a Polícia Federal informou que Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor descrito pela revista e que não entregou à instituição documentos ou informações correspondentes às alegações divulgadas.
A corporação acrescentou que as propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa do investigado não foram aceitas por não atenderem aos requisitos legais. A PF também informou ter recebido uma notícia-crime relacionada à reportagem e que o caso foi encaminhado para análise técnica.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) declarou que não houve depoimento oral de Vorcaro durante as tratativas de colaboração premiada. Segundo o órgão, as negociações foram conduzidas por advogados, sem contato direto entre o empresário e representantes da Procuradoria.
Instituto Lula nega recebimento de recursos
Paulo Okamotto, ligado ao Instituto Lula, negou que a instituição tenha participado da produção ou da captação de recursos para o documentário. Segundo ele, o filme foi uma iniciativa do próprio Oliver Stone e o Instituto Lula não recebeu dinheiro para sua realização.
A defesa de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, também contestou as informações publicadas, classificando o relato como falso.
A defesa de Vorcaro afirmou não reconhecer a origem, a autenticidade e a integridade do material divulgado. Portanto, as alegações atribuídas ao ex-banqueiro permanecem sob questionamento.
Caso provoca reação política
A divulgação da reportagem provocou reação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que criticou a publicação e contestou as acusações. A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que solicitaria direito de resposta à revista.
O episódio ganhou repercussão durante o período eleitoral e envolve alegações sobre possíveis pagamentos, relações políticas e acesso a fundos de pensão públicos. Até o momento, entretanto, as autoridades negam ter recebido o depoimento ou os documentos que a reportagem apresenta como base para o relato.
A apuração sobre a origem do material e as circunstâncias das alegações será importante para esclarecer o caso.
Fontes: revista Veja, Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República, Agência Brasil e Poder360.
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